Mais uma Igreja?
Estimam alguns que no mundo existe, agora no começo do
século 21, cerca de 100.000 denominações. Acredito que nessa era líquida, tudo
se tornou mais fácil, para que cada indivíduo venha a ter a sua própria igreja.
Afinal, tudo é relativo, plural e subjetivo, de modo que já não há espaço para
uma fé sólida, com fonte objetiva e partilhada por muitos, em vários lugares e
épocas.
Essa constatação nos leva a considerar que, se o
denominacionalismo não chegou ao fim, é certo, porém, que seus paradigmas foram
mudados. Aquilo que padronizava e emoldurava uma denominação, mantendo sempre
uma uniformidade distintiva, agora fora substituída por uma disformidade, no
sentido de que foge a certo padrão de identidade fixa e inflexível, ortodoxa.
Diante disso, como justificar o surgimento de mais uma
igreja presbiteriana? Que explicação há para uma nova igreja com um nome antigo
jungido a uma declaração? Finalmente, por que uma Igreja Presbiteriana
Confessional?
Retorno às Sagradas
Escrituras.
Os presbiterianos são legítimos herdeiros da Reforma
Protestante de Genebra, liderada por João Calvino. Os calvinistas, ou
reformados originaram-se, portanto de um movimento profundo de retorno às
Sagradas Escrituras, que produziu uma reconfiguração bíblica da Igreja de
Cristo, como encontramos na Instituição da Religião Cristã, do célebre teólogo
de Genebra.
Da Suíça, especificamente da Academia de Genebra,
criada por Calvino e outros reformadores, sai um de seus melhores alunos, o
escocês John Knox, em regresso à sua nação, encontrando ali singular
oportunidade de implantar o modo de vida presbiteriano. Desde então, o
presbiterianismo continuou a se espalhar, implantando uma visão bíblica de
mundo, através de igrejas comprometidas com a Palavra.
Dessa grandiosa origem e com esse sagrado propósito,
vem à justificativa para o surgimento de mais uma igreja presbiteriana, que de
um ponto de partida nascente, se multiplique em presbitérios e sínodos e
promovam a glória de Deus no mundo.
Cremos e
Confessamos.
Cerca de um século se passou e o protestantismo da
Inglaterra e de outros países, composto de reformados não apenas
presbiterianos, fora convocado a formular os artigos de sua fé comum, os quais
deveriam estar expressos em um documento de Confissão e ensinados através de
seus próprios Catecismos. De um espaço de seis anos e com muita oração, surgiram
então, os Símbolos de Fé de Westminster.
Na Abadia de Westminster, entre 1643 e 1649, estiveram
reunidos 121 teólogos e mais 30 representantes das igrejas reformadas
produzindo a rainha das Confissões. Essa última confissão, seus catecismos e um
diretório de culto constituem o corpo interpretativo das Sagras Escrituras, as
doutrinas fundamentais do cristianismo bíblico e dogmático e o modo
biblicamente aceitável de adoração comunitária.
Agora, com seus padrões de fé estabelecidos, dentro de
uma excelente tradição exemplar de cristianismo bíblico, nos séculos 17 e 18,
conhecida como O Puritanismo, os presbiterianos continuaram sua missão de levar
todo pensamento cativo a Cristo.
Reformada
sempre se reformando.
Um padrão de vida rigidamente presbiteriano de
purificação da igreja e da sociedade, pelas lentes da Palavra de Deus, tem
nesse mundo caído fortes efeitos colaterais. Aqueles que sustentaram com a vida
o sentido de ser presbiteriano confessional foram entendidos como inoportunos
na Inglaterra, tanto para a igreja, quanto para o Estado. Eles eram
inconformistas e puderam partir com cerca de 50 famílias para a colônia, a nova
Inglaterra.
Com uma visão de mundo completa, enxergando a
realidade pelas lentes das Sagradas Escrituras chegam à América do Norte os
Peregrinos Puritanos, para livremente, com base na Soberania Divina e na livre
consciência cristã, exercerem a vida cristã, reformada, presbiteriana,
confessional. Essa senda revelou que apenas essa postura foi e ainda é capaz de
sustentar uma igreja de fato reformada, sempre se reformando.
Esse é o ethos presbiteriano
desde o seu nascimento e quando isso é mudado, presbiteriano passa a ser um
termo vago, alegórico, nada descritivo e representativo. Somos assim,
convidados a sair como reformados, sempre se reformando.
Mais uma
Igreja!
Os paradigmas foram mudados, tudo é relativo, plural e
subjetivo. As estruturas não são mais sólidas. Aqueles que antes andavam bem,
agora revisam os padrões de nossa fé presbiteriana e ao sabor das séries de TV,
demonizam os puritanos, nossos pais. Reformado já não define presbiteriano e
vice-versa. Contudo, dessa crise exploratória do surgimento indiscriminado de
igrejas, veio a oportunidade.
A organização da Igreja Presbiteriana Confessional, após o nosso
rompimento com a IPB, ocorreu em um Domingo, Dia do Senhor, a 1º de julho de
2018, dia histórico em que se comemoraram exatos 375 anos da abertura dos
trabalhos da Assembleia de Westminster (1º de julho de 1643). Com a CFW, I, X, reafirmamos
nossa postura presbiteriana, afirmando que “... o Juiz Supremo, em cuja
sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando
na Escritura”.
Assim, rejeitamos uma igreja relativista; rejeitamos
uma igreja pluralista, rejeitamos uma igreja subjetivista. Rejeitamos uma
igreja onde suas estruturas já não são mais sólidas, pois somos presbiterianos
confessionais. Nossas estruturas são sólidas, Castelo Forte é o Nosso Deus!