A Perda de
Sentido.
Atualmente, o nome Presbiteriano está bastante desgastado.
Um grande número de denominações mantém tal nome, talvez porque, basicamente,
adotem o sistema de governo presbiteriano, apenas. Considere também, que o
desgaste desse nome veio através do desmoronamento moral de um sem número de
pessoas que em virtude de estar numa igreja presbiteriana, recebe esse nome. O
desmoronamento moral de parte do presbiterianismo veio pelo desapego à sã
doutrina e da crítica textual à Palavra de Deus, a partir do século 19, com o
liberalismo teológico.
Contudo, nas últimas décadas do século 20, novos
elementos de ordem bíblica e teológica, somaram ao desgaste do termo presbiteriano.
Foram os movimentos gerados pelo pentecostalismo e o evangelicalísmo. Por
último, devemos levar em conta que historicamente, algumas denominações
presbiterianas que se tornaram grandes passaram a tolerar a quase tudo, exceto os
membros que protestam contra a quebra de princípios, valores e práticas que designa
o presbiterianismo.
Tudo isso levanta algumas questões urgentes: O que descreve
os presbiterianos? Quais são os seus princípios? Com o que se delimita o verdadeiro
presbiterianismo? Quais são os seus valores? Como definir os presbiterianos?
Quais são as suas práticas?
Os
Presbiterianos São Reformados.
Há dois sentidos para o conceito de Reformado. Um
sentido mais amplo, geral e um sentido mais limitado, estreito. O primeiro,
incluindo os movimentos protestantes da Reforma, sendo eles basicamente três: o
Luterano, o Anabatista, e o Calvinista ou Reformado, propriamente dito. Num
primeiro momento, no século 16, surgiram os dois primeiros movimentos, o
Luterano, que lutou pela reforma da Igreja Romana e o Anabatista, que pregou
uma separação completa e radical com qualquer tradição.
Foi, porém, num segundo momento em meados do século
16, que reconhecido o fato de não haver mais igreja que reformar que surgiu o
movimento da Reforma em Genebra. Não uma reforma meramente institucional, ou
uma que alienasse o cristão acerca da realidade, mas, uma Reforma que
reformulou a Igreja Visível, segundo a Palavra de Deus e com isso, resgatando o
real sentido bíblico acerca da Igreja Invisível. Tal movimento recebeu mais
tarde o nome de Calvinista, por produzir uma visão clara da Igreja, através da
doutrina da Aliança, destacando a soteriologia apresentada nos Cinco Pontos do
Calvinismo.
Os Presbiterianos são de fato os Reformados stricto sensus. Os presbiterianos se explicam por seus princípios
reformados e deixa de ser legítimo um indivíduo se designar presbiteriano, se a
sua ideia do que seja Reformado não implique em pensar a vida cristã, a igreja,
o culto, pelas determinações das Sagradas Escrituras, somente. Se o
entendimento não for o de que a Palavra de Deus normatiza e regula todas as
coisas, logo, não há razão para sustentar o nome de Presbiteriano. E é
exatamente por ser uma igreja bíblica, que resultou do retorno às Escrituras,
que precisamos de uma Confissão de Fé nos firmando nos limites dados na Palavra
de Deus.
Os
Presbiterianos São Confessionais.
Em geral, todos os que se designam reformados fazem
referência à confessionalidade de Westminster. Não ignoro o fato de que a
grande parte da membresia das igrejas presbiterianas dos nossos dias não faz
ideia do que seja isso. Contudo, me refiro aos líderes, em especial. Aqueles
que foram escolhidos para ensinar e representar a igreja. Aqueles que, para
serem ordenados, juraram solenemente subscrever na própria vida, a Confissão de
Fé, como fiel sistema de interpretação bíblica.
Basicamente se reconhece três formas de subscrição
confessional. Em um extremo encontramos a subscrição literal, uma subscrição
inegociável dos artigos, sentenças e até mesmo, do texto da Confissão. No outro
extremo iremos encontrar a subscrição ampla, uma que não leva tanto em conta o
texto, mas apenas partes do conteúdo. Em ambos os casos, encontraremos
inconsistências. Aquele, por absolutizar o texto da Confissão. Esse, liberal,
perigoso, por relativizar o mesmo.
Os Presbiterianos Confessionais são confessionais
Integrais. A subscrição integral da Confissão significa uma aceitação do
documento como sistema fiel das doutrinas bíblicas, de acordo com o calvinismo;
sendo ainda, uma subscrição rígida quanto aos seus artigos fundamentais.
Os
Presbiterianos São Puritanos.
O Puritanismo dos séculos 17 e 18 foi um movimento glorioso,
em que se buscou uma vida de pureza, em todas as coisas. Começando por uma
igreja pura, um culto puro, um sistema de governo puro, etc. O ponto de partida
para tudo era Só as Escrituras e as Escrituras toda. Tudo isso teve um grande
preço na vida destes inconformados, perseguidos e maltratados. Mas estavam
sempre convictos de que deveriam viver para a glória de Deus. Pessoas que
viviam o que pregavam.
O amor pela Verdade se demonstra no esforço de vivermos
o que pregamos. O culto e o Domingo na CFW não são o mesmo que vemos hoje em
dia na maioria das igrejas presbiterianas. Ministros mentem nos seus votos de
subscrição e a própria Confissão de Fé, que é a Norma Normatizada da Igreja, é
desprezada. Tal desprezo não se limita ao documento, apenas. Ele é um abandono
ao sistema presbiteriano articulado ali e aos valores que compõe o
presbiterianismo, valores da fé puritana.
Da mesma forma que os presbiterianos são reformados,
pelo dever de refletir na vida os princípios da Reforma Calvinista do século 16,
assim também, os presbiterianos são puritanos, por subscrever os valores da fé
puritana, declarados na CFW. Não há verdadeiro presbiterianismo, sem, contudo
assumirmos nosso puritanismo.
Pela Graça de
Deus Somos o Que Somos.
Da história presbiteriana vem o exemplo para as
gerações seguintes, de uma igreja sempre se reformando. Algumas denominações presbiterianas, se
observarmos, degeneram ao prescindir dos princípios, valores e práticas que lhe
são próprios. Esvaziam o sentido do nome presbiteriano e mais do que isso,
requalifica esse preciso nome, pejorativamente. Isso aconteceu no século 20. Isso
também está se repetindo no século 21. O desejo de ser grandes para o mundo
leva-se a edificar uma torre, que supostamente leve ao céu.
Quando a nossa igreja mãe degenera, temos o dever
moral de empreendermos uma reforma da igreja. Como em Genebra, um novo começo.
Quando a nossa igreja começa a se afastar e até criticar os nossos princípios
reformados, os nossos valores confessionais e a nossa prática puritana,
caminhando a passos largos, para o mesmo destino de quem já fez o mesmo
percurso, é porque chegou o tempo de tomarmos a tocha nas mãos, para leva-la
adiante, sem que se apague.
Por que somos presbiterianos? Por que somos
reformados. Temos princípios que nos descrevem; somos presbiterianos, porque
somos confessionais. Temos valores que nos delimita; somos presbiterianos,
porque somos puritanos. Temos uma prática que nos define, e é tão somente pela
graça de Deus que somos o que somos.