A Consistência de Uma Cosmovisão
Todos
nós temos uma cosmovisão. Todos nós estamos comprometidos com uma maneira de
ver o mundo. Esse compromisso de como vejo o mundo está enraizado na crença
mais profunda do meu coração, de onde vem meu conjunto de princípios e valores.
Pois o que eu creio me direciona a pensar, e pensar da forma que penso me leva
a agir. Entretanto, não passamos o dia pensando nessas coisas.
Todos
nós temos uma cosmovisão, uma maneira estruturada e direcionada de ver o mundo.
Estando consciente de sua cosmovisão, ou não. Sendo coerente com a sua
cosmovisão, ou não. Em
geral, as pessoas não tem consciência de que possuem uma cosmovisão. Em
geral, também não somos em todo o tempo coerentes com a nossa cosmovisão, e
isso não depende de estarmos conscientes acerca dela.
Há
outra coisa muito importante e que abrange a tudo isso. Devemos nos perguntar
agora se vamos continuar nos enganando em acreditar que cada pessoa tem a sua
própria verdade, a sua própria maneira de ver o mundo. Pois, como uma coisa
pode ser verdade (para uns) e não ser verdade (para outros)? Hora, a vida tem
categorias das quais partilhamos e que nos são, portanto, comuns a todos. Estamos
todos em um mesmo mundo, numa mesma realidade humana.
Categorias da Vida
Cosmovisões
atuam segundo as categorias da vida. Tais categorias começam a ser por nós
percebidos, quando passamos a questionar passado, presente e futuro. Na medida
em que vamos tomando consciência de nós mesmos, desejamos saber de onde viemos?
Quando e como passamos a existir? Qual a minha origem? Qual o sentido de
existir? Como me realizo? Qual é o propósito para o qual existo? Para
onde estou caminhando? Não haverá conserto para a vida? Qual será o meu destino?
De
onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos? Estas são perguntas
inquietantes, que nos fazemos ao longo da vida. Elas abrangem o fato de que
nossa vida teve origem; de que nossa vida tem propósito; de que nossa vida terá
destino. São a partir desse ponto que todos os sistemas de vida
(filosofias) surgiram ao longo dos últimos vinte e seis séculos. Cada homem,
partindo de si mesmo, produzindo um modelo (de respostas) para si e para os
outros.
As
cosmovisões são diversas, porque são variadas as estruturas e as direções, na
tentativa de perceber e de interpretar todas as coisas pertinentes à nossa
existência. Mas, será que são os homens responsáveis, ou mesmo capazes de
oferecer uma cosmovisão que sirva para ele, para o outro, em todos os lugares,
em todas as épocas? E se existe uma explicação adequada, supra-humana,
supra-temporal que nos revele Origem | Propósito| Destino, ela pode ser
conhecida?
Crenças fundamentais
Um
fenômeno muito importante observado na humanidade é o fato de que todos,
irrestritamente, somos religiosos. Sabemos disso, porque todos nós acreditamos
em algo, possuímos uma crença última, irredutível, temos certeza e confiança em
algo que aí está. A isso podemos chamar de relação epistêmica do homem com
aquilo que ele mais acredita. Essa relação epistêmica, ou de conhecimento,
acontece em nossa experiência de conhecer e lhe dar com aquilo em que mais
cremos.
No
centro de toda essa discussão está aquilo que é o modo de como me relaciono com
a causa primeira de todas as coisas. Reduzindo ao máximo podemos afirmar que
minha fé afirma ou nega a verdadeira causa primeira de todas as coisas. E sendo
que com essa causa primeira todos nós temos relação, seja admitindo-o ou
negando, essa causa primeira é necessariamente um ente, um Ser pessoal.
Relacionamentos pessoais existem entre pessoas humanas, divinas e humanas com
divinas.
De
todo um edifício complexo, desenvolvido, de tipos de crenças que temos, sabe-se
que na base existem dois modos de fé, por parte daquele que crê (o homem), com
aquele ou aquilo que é crido (a divindade). Como vimos acima, há quem afirme
Deus (teísmo) e há quem negue a Deus (ateísmo). Na medida em que o teísmo possa
ser entendido como uma disposição de admitir ou afirmar que haja Deus, o
ateísmo será apenas uma disposição para negar ou rejeitar a existência de Deus.
Esses
dois modos básicos de crenças deram origem a vários outros. Os meios de
derivação vieram pela degeneração e interferência a esses dois modos básicos de
crença fundamental. Tanto na esteira do teimo quanto do ateísmo, temos
variações de crenças, as quais direcionam as cosmovisões que concorrem no
mundo. São as sínteses que fazemos dos nossos valores com valores diferentes
dos nossos.
Avaliando o Fundamento da Minha Cosmovisão
Como
já vimos uma coisa não pode ser ao mesmo tempo verdadeira e falsa. Apenas em
uma cosmovisão verdadeira e coerente, o homem completo (coração), na sua
estrutura toda, pode se relacionar com o objeto da sua adoração: Aquilo ou
aquele em quem depositamos a nossa crença fundamental, irredutível. Aquilo ou
aquele que nos originou. Em outras palavras, como eu encontro valores pessoais
para minha vida, caso a minha vida tenha uma origem impessoal? Como dar juízo
de valor a uma situação quando acredito que não há moralidade no universo?
Aquilo
em que cremos esclarece de onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos?
As respostas são dadas? E se obtenho respostas para essas perguntas, elas são
coerentes com o todo da minha vida? Que certeza pode vir do acaso? Que moral
pode vir do impessoal? Aquilo ou aquele que cremos fundamentalmente, ou que dá
fundamento à minha vida é a fonte de resposta para todas essas grandes
questões? Se formos honestos conosco mesmo, entenderemos aqui que em uma
verdadeira cosmovisão a nossa crença fundamental tem que estar em algo, ou
alguém que intervenha no mundo e nos revele a sua vontade.