Os Neo-presbiterianos.
Como cristãos consistentes, os presbiterianos do
passado eram odiados pelo mundo. Muitos presbiterianos do século 21, no entanto
são amados. O que mudou? O mundo está menos hostil? A secularização de igrejas
presbiterianas está acontecendo desde o século passado e infelizmente, já não
resta muito que descreva as características e contornos da fé presbiteriana em
nossos dias. O sistema, modelo e estilo de vida que contrastava com a sociedade
caída, já não surtem mais o efeito de antes.
O presbiterianismo já não é mais uma antítese, ele é composto
nos nossos dias de várias sínteses. Estamos numa época de transitoriedade nunca
vista antes. Nada é fixo, nada é sólido. Tudo é volátil, tudo é efêmero. Isso atinge hoje em dia a noção da verdadeira
essência presbiteriana. Em nossos terríveis tempos de transitoriedade, temos uma
massa de membros nas igrejas, mas que não são de fato, em sua maioria, presbiterianos;
eles apenas encontram-se, circunstancialmente presbiterianos.
Antigamente isso seria improvável, pois o cristão
presbiteriano não se acharia em outro meio, e em seu meio não se firmaria
alguém que não tivesse consciência do que é ser um cristão presbiteriano. Foi
movido por essa consciência que muitas igrejas locais presbiterianas surgiram.
Iniciavam igrejas onde não havia uma; onde o ensino da Palavra fosse central na
vida. O presbiteriano busca unir-se numa associação de presbiterianos, operando
no mundo o seu próprio sistema de vida.
O Sistema
Presbiteriano.
O presbiterianismo
é obviamente o sistema presbiteriano. Mas se com isso estamos apenas apontando
o modelo bíblico de governo da igreja, então nesse caso, estamos diminuindo em muito
aquilo que significa o sistema presbiteriano. Embora a Igreja Presbiteriana receba
esse nome do seu próprio método de governo eclesiástico, contudo, o sistema de
verdades presbiteriano é o próprio Calvinismo que o antecede.
Nenhum outro sistema foi tão abrangente quanto o
calvinismo. O calvinismo é uma visão bíblica de mundo e assim, por essência
esta é uma visão da verdadeira religião Cristã, o meio pelo qual todas as coisas
temporais podem ser tocadas. O Calvinismo modificou o mundo ocidental, ele é a
essência do presbiterianismo. Foi o modelo presbiteriano que estava em vigor no
centro da Reforma Protestante Genebrina.
O fundamento da Teologia Calvinista, na Reforma estrita, é notadamente a doutrina da
Soberania de Deus. Pelo Senhorio de Cristo, todas as coisas estão sujeitas
àquele que sustenta, dirige e governa a tudo e a todos. Mas, como o Calvinismo
consolidou a Reforma Protestante ao quebrar por completo as amarras de Roma,
isso exigiu um fundamento para a articulação da verdadeira Religião Cristã.
Mas, qual o veículo que fez o Calvinismo se mover? Foi
a liberdade de consciência, que Cristo faculta, tornando o homem livre para ler
e interpretar as Escrituras; e a liberdade de ajuntamento em Igreja, que Cristo
concede àqueles que desejam se unir para buscá-lo e proclamá-lo pelas
Escrituras, que veio ser e continua sendo, o veículo pelo qual o verdadeiro
presbiterianismo se move.
A Igreja
Presbiteriana.
A Igreja Presbiteriana surgiu da prática do sistema
presbiterianismo. Isso é notável, pois normalmente os homens fundam suas
igrejas e passam a criar o seu sistema. O presbiterianismo, contudo, antecede a
Igreja Presbiteriana e foi formulado no pleno exercício da reforma em Genebra.
Ser a igreja que resultou do Calvinismo é muito honroso e requer uma grande
responsabilidade, uma vez que esse mesmo sistema foi quem deu sustento à
liberdade de religião.
Historicamente se reconhece que a Igreja Presbiteriana
originou na Escócia. Agosto de 1560. Alegamos como pai da Igreja Presbiteriana
o reformador escocês Jhon Knox. O mesmo que por cerca de três anos antes esteve
em Genebra na Suíça, com Calvino, aprendendo do mestre reformador a mais bíblica
e refinada teologia cristã. Foi ali que Knox pode conviver com o sistema que
produziu a Igreja Presbiteriana.
A Igreja Presbiteriana é a forma representativa do
presbiterianismo. Como igreja, a Igreja Presbiteriana tem uma formulação não
apenas de Governo bíblico, mas de Culto bíblico, também. A identidade
doutrinária e a de teologia de uma igreja estão sempre representadas na forma
de culto que ela presta a Deus. Seus padrões de fé são ali percebidos, quando
os que cultuam, o fazem conscientemente.
O Cristão
Presbiteriano.
Ser presbiteriano não é para muitos, pois alem do
exposto acima, não poderemos manter a firmeza bíblica e ao mesmo tempo, obter a
concordância de uma multidão. Talvez isso nos esclareça um pouco o porquê de
muitas igrejas locais e mesmo de denominações presbiterianas degenerarem.
Quando o objetivo se desvia para outros caminhos, nos quais não importa mais
permanecer uma igreja de fiéis à Palavra de Deus, tudo o que resta de
presbiteriano é apenas o nome.
O cristão presbiteriano verdadeiro não se limita em
apenas ser um membro de igreja presbiteriana. Quando presbiterianos se limitam
ser apenas isso, perde-se a essência do presbiterianismo e consequentemente,
muda-se a forma presbiteriana. Os cristãos presbiterianos em sua maioria tem
rejeitado o presbiterianismo. Rejeitam quando escolhe adotar algumas coisas e
outras não. Rejeitam quando adotam quesitos que não pertencem ao seu próprio
sistema.
Sabemos o quanto ser presbiteriano é laborioso, pois acatar
que só podemos e devemos fazer o que é biblicamente ensinado, tanto pelos
decretos, quanto pelos preceitos de Deus, algo que exigirá um grande esforço
para negarmos a nós mesmo. Mas, só assim descobrimos quanto é recompensador,
também. Uma marca indelével do cristão presbiteriano é o grau de consciência
que tem do que ele realmente é.
O Presbiterianismo está Vivo
O preço de sermos presbiterianos em nossos dias tem
aumentado. E isso não diz respeito tão somente a nossa fé em face do mundo lá
fora. Refiro-me ao preço que tem sido pago intramuros. Articular os postulados
presbiterianos onde a maioria não é mais de presbiterianos; onde a igreja não
tem mais a identidade própria; onde o sistema colapsou, acarretará sofrimento
aos conformados e especialmente, aos inconformados.
O cristão neo-presbiteriano é um modificador da igreja
presbiteriana para uma neo-presbiteriana. Ele tem encontrado meios para
questionar o próprio presbiterianismo, mudando-o para um neo-presbiterianismo.
Eles são facilmente reconhecidos. Sua principal característica tem sido sua
perseguição aos presbiterianos, àqueles que desejam uma igreja pura. Aqueles
que se espelham nos pais puritanos e nas suas fadigas, descansam à sombra
daqueles heróis do passado.
Será esse estado de coisas presente que darão fim à
Igreja Presbiteriana? Será mesmo que novas grandes denominações abrindo caminho
à ideologia de gênero e outras sujidades, darão cabo da essência presbiteriana?
Creio que não e a história mostra isso para nós. Lembremos que o ímpeto
presbiteriano está em seu caráter reformista e o seu impulso se faz sentir em
novas igrejas verdadeiramente presbiterianas nascendo para a glória de Deus.