Somos todos religiosos
Atos 17.22 – “Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago,
disse: Senhores atenienses! Em
tudo vos vejo acentuadamente religiosos;”.
Seres
humanos são Muito religiosos em todos os aspectos. Essa foi a constatação feita
pelo apóstolo Paulo ao discursar para estoicos e epicureus, quando esteve em
Atenas tendo passeado por ela. Os gregos possuíam um grande panteão de deuses
diversos. Para todas as causas da vida, os gregos tinham uma ou mais divindades
a quem recorrer e sacrificar. O paganismo idólatra generalizado demonstrava o
modo de aquelas pessoas perceberem e interpretarem o mundo.
Cosmovisão
é a nossa maneira de perceber e de interpretar todas as coisas. Nossa percepção
do mundo externo reflete para nós o que cremos. Nossas crenças são como as
nossas retinas, responsáveis pela formação das imagens em nossa mente. Vemos as
coisas conforme acreditamos; nossa maneira de interpretar os fatos se expressa
no que confessamos. Nossa boca fala do que o coração está cheio.
O processo de percebemos e interpretamos as
coisas constitui o aspecto subjetivo de nossa cosmovisão. Devemos estar certos
de possuirmos uma cosmovisão que não nos deixe alienar da realidade. As visões
de mundo são diversas e quase todas alienantes; precisamos então, de uma visão
de mundo, de acordo com a grandeza da realidade. Uma cosmovisão que nos
explique o real significado das coisas.
Cosmovisões são Diversas
As
cosmovisões são diversas, porque são variadas as estruturas e as direções, na
tentativa de perceber e de interpretar todas as coisas. A estrutura do nosso
raciocínio está firmada em algo bem profundo em nós. Essa estrutura se firma,
ou se esforça para firmar-se na direção que há no nosso coração. Essa direção
ou inclinação são os nossos pressupostos, o nosso conjunto de crenças que se
apoia numa crença maior.
Como
sabemos, nem sempre todos estão conscientes dessas coisas, e a verdade é que em
algum grau, todos nós somos incoerentes em nossa cosmovisão. Essa falta de
consistência se dá por conta da nossa subjetividade. Na tentativa de
percebermos e interpretarmos as coisas fica exposta a nossa subjetividade. Certamente que não há quem possa ser
totalmente objetivo, porque somos seres pessoais, com características particulares
que nos distingue das demais pessoas.
Dito
isto, assumimos que seremos apenas subjetivos em adotarmos crenças conforme a
nossa própria imaginação. Crenças conforme a nossa imaginação ainda formularão
os nossos pressupostos. Mas não apenas isso. Elas também se apoiarão numa
crença fundamental em algo que acreditamos ser o responsável pela origem –
existência - destino de todas as coias, e isso é irremediavelmente religioso,
seja exercendo sistema verdadeiro ou em apostasia.
Aquilo
que em nosso coração elegemos como crença fundamental é suficiente para atender
a essa demanda da vida? O conjunto de crenças que tenho apoiada sobre essa
crença fundamental, explica adequadamente a realidade? As grandes questões de origem
– existência – destino são esclarecidas suficientemente, por minha cosmovisão? Sendo
o homem irremediavelmente religioso, há sentido completo em ver o mundo por
lentes não cristãs?
Diversidade de Cosmovisões Cristãs
Uma
cosmovisão cristã ela tem como crença fundamental o teísmo cristão. Há várias
declinações do teísmo. O Teísmo Cristão, basicamente ele é monoteísta. Admite a
existência de um único Deus. O Teísmo Cristão tem como pressupostos mínimos que:
Deus é único, perfeito, eterno; Deus é pessoal, Criador, Senhor; Deus é
condescendente. Esse conjunto de crenças básicas é o mínimo suficiente
e comum a todos os que assumem um Teísmo Cristão.
Deus é único, perfeito,
eterno.
Por
definição, o verdadeiro Deus é necessariamente único. O fato de Deus ser único
o qualifica adequadamente como Deus, pois se deuses houvesse, se retiraria a
característica de incomparabilidade divina. Isso nos leva à sua
perfeição. Ele é perfeito em todas as suas características ou perfeições
incomunicáveis e comunicáveis ao homem. Essa característica do único e perfeito
Deus nos alerta para a sua eternidade. Se tivesse começo, ou fim, não seria
perfeito: infinito, eterno e imutável.
Deus é pessoal, Criador,
Senhor.
Acima
vimos um breve resumo mínimo do Deus Uno, comum a todos os teístas cristãos.
Agora pensemos brevemente em sua tri-unidade. Deus não é três (deuses) em um
(triteísmo), mas ele é Um em Três pessoas. O Deus trino, Pai-Filho-Espírito é o
Deus Pessoal, que se relaciona com o homem. Em geral, ele criou o universo e
tudo nele contido. Do nada e em seis dias, por sua palavra. Ele também é Senhor
de todas as coisas. Ele governa soberanamente o mundo, cooperando com a livre
agência do homem ou contra os seres humanos.
Deus é condescendente.
Por
fim, avaliemos o fato de que o único Deus verdadeiro e pessoal, ele é
condescendente com o homem. Não significa que ele aceite o homem no seu estado
de imperfeição moral (pecado), mas para prover a salvação de muitos, desse
estado atual, ele condescendeu com o homem em ter falado com este em palavras
humanas. Sua palavra escrita ainda nos testemunha de um segundo ato de
condescendência. Ele encarnou sua palavra eterna, na pessoa do Filho. Sua
palavra escrita e encarnada é para o homem o caminho, a verdade e a vida.
Avaliando uma Cosmovisão Cristã
Não
há somente uma cosmovisão cristã. Certamente, que o ponto de partida que define
uma cosmovisão cristã, é a sua crença fundamental no teísmo cristão. Mas, por
que todas as cosmovisões cristãs são teísta, elas obterão os mesmos resultados?
O que cremos e o que confessamos, ainda funcionam como o filtro interpretativo
que temos. Se tivermos um credo e uma confissão adequados ao Deus único,
perfeito, eterno; pessoal, Criador, Senhor; condescendente, teremos uma
cosmovisão cristã que atenda as demandas da vida.
Nosso
credo e nossa confissão formam o filtro interpretativo que temos para julgar e
avaliar á luz de nossos dogmas. Os dogmas são o nosso conjunto de pressupostos
característicos e que define a nossa tradição cristã. Cristãos católicos, assim
como protestantes, concordarão acerca do mesmo Deus descrito acima. Porém,
haverá grandes discordâncias em várias outras questões. Por exemplo: Para
católicos, a Igreja é salvadora. Para protestantes em geral, nenhuma igreja
pode salvar.
Poderemos
avaliar minimante a nossa cosmovisão cristã, se perguntarmos sobre nossa
origem: Como era tudo no começo? Como eram as coisas quando passaram a existir?
Se perguntarmos sobre a nossa existência: O que deu errado? Por que as coisas
vão mal? Se perguntarmos sobre o nosso destino: Qual a solução? Para onde
estamos indo? Supondo que a minha cosmovisão cristã ela é bíblica, então terei
como pela estrutura linear da história bíblica, avaliar a minha visão de mundo.
Terei respostas adequadas na narrativa da Criação – Queda – Redenção do homem.